sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Minha faculdade de direito Parte I


Oi amigos, hoje eu resolvi falar um pouquinho da minha faculdade de direito, pois é, minha também, pois não foi só o Sidney que ralou pra se formar, eu ralei junto, e teve dias que pensei que não aguentaria mais.
Enfim acabou, é claro que temos uma longa jornada pela frente, OAB, pós, mestrado, mas acredito que o pior já passou e dias melhores virão, graças ao nosso bom Deus e o esforço do meu marido.

Ontem dia 06/12/2012 um dia inesquecível para mim, quando o Ney chegou por volta das 20:00hs, de sua última prova e último dia de aula, um filme passou em minha mente, me deu um nó na garganta e uma vontade louca de chorar, escrevi uma mensagem para alguns amigos no celular e no face, e logo começaram a retornar mensagens para nós, não me aguentei mesmo e chorei. As pessoas que conhecem um pouco da nossa vida irão entender, talvez outras que não conhecem possam pensar, -Nossa, que exagero!! Mas vou tentar resumir um pouquinho do nosso curso de direito.

Quando o Ney me disse que queria fazer direito, foi do nada, e eu achei o máximo, não me preocupei se podíamos pagar ou não, e ele enfiou as caras na divida e começou a fazer. Minha sogra tinha ido morar com Deus em 2007, e em 2008 começou o curso. Minha mãe sempre admirou muito o Ney, ele realmente é uma pessoa que vc não encontra em qualquer lugar e eu não podia brigar com ele, ela nunca ficava do meu lado, sempre do dele. Me lembro em 2007 mesmo, quando a saudosa Dona Maria, foi para uma melhor, minha mãe iria fazer uma cirurgia no fígado, devido o tumor , ela retirou quase 80% do fígado, mas antes de entrar em cirurgia, ela olhou pra ele e disse: - Ney, eu não vou morrer!! Eu vou viver pra cuidar de você!! E depois da cirurgia, no dia que ela voltou pra casa, nós chegamos e lá estava a Dona Rô no portão com a barriga toda costurada, aquele sorriso que me faz muita falta, nos esperando e disse pra ele: - Eu não disse que não ia morrer!!

Mas voltando a 2008, início da faculdade, minha mãe morria de orgulho do Ney fazer direito, sempre teve certeza de que ele iria até o final e ainda seria juiz, RS (Quem sabe né mãe??)
Passei o ano de 2008 tentando engravidar, assim como o anterior, mas não tivemos sucesso, foi um ano bom, apesar de toda dificuldade com o câncer da minha mãe, as pessoas chegaram a me dizer que eu não me importava com ela, pois estava sempre feliz. Na verdade, a gente sabia da doença da minha mãe, mas não tínhamos noção da proporção, pois ela estava sempre muito bem, em nenhum momento achei que minha mãe fosse morrer, ela passava isso pra gente e nós continuávamos seguindo com a vida da mesma forma, assim como ela também.

Nós tínhamos uma YBR, graças ao meu irmão Fernando que tinha passado pra gente, velha de guerra, pra quem lembra da danada, temos ainda, nem o Miguel sabe da existência , RS, está guardada no escritório, não sei se funciona, mas é uma querida pra mim, só boas recordações. No fim do ano sempre pegávamos a estrada com uma mochilona nas costas, muitas chuva, no inverno era terrível, mas no calor uma benção, RS...

Nesse ano, eu trabalhava no consultório médico e odontológico, mas em agosto, fui trabalhar junto com o Ney na Aucon, onde estou até hoje. Íamos trabalhar juntos, depois ele me deixava em casa e ia pra faculdade. E eu ficava em casa de boa, RS...

Em 2009 o ano mais difícil da minha vida, no carnaval, fomos pra praia com a minha mãe, o Fernando, a Ana, Lucas e alguns amigos. Foi bom poder fazer esse passeio com a minha mãe, ela não estava muito bem, mas não se queixava de nada. Voltamos pra casa, o Fernando e a Ana ficaram noivos. E Na mesma semana, minha mãe foi fazer um exame, passou mal e descobrimos que o tumor havia isso pra cabeça.
Havia desistido da ideia de ser mãe, pensava em entrar na fila de adoção, mas naquele momento, só pensava na recuperação da minha mãe. ETA doencinha danada, minha mãe cada dia estava pior, foi quando comecei a perceber o quão sério era o câncer, um dia ela não tinha o movimento das mãos, o outro dos braços, o outro das pernas e assim por diante, comecei a carrega-la para ela ir ao banheiro, tomar banho, com a ajuda de uma vizinha querida e de minha avó. Quando um dia, percebi que meu corpo estava diferente, estava grávida e logo no início, talvez por muito esforço, já com descolamento na placenta.

Minha mãe foi ficar na casa da minha avó, e eu tinha de fazer repouso absoluto, mas sempre estava por lá, ela ficou muito feliz com a notícia, mas devido a doença, as vezes ficava meio fora do ar, e começou a dizer pra quem ia visitá-la que estava grávida de dois meninos. Eu achava engraçado, pois na verdade ela se referia a mim, mas eu jamais imaginava que isso poderia ser possível, mas para a minha surpresa no dia do Ultrasson lá estava dois embriões, eu quase não acreditei, comecei a perceber que minha mãe não pertencia mais a esse mundo, mas era muito difícil para mim, entregá-la a Deus.

Era difícil demais vê-la acamada, mas sempre orava muito pela cura, acreditei muito que a minha gestação iria curá-la, pois o sonho dela era ser avó. Fui ficar por um tempo na casa da minha avó, para ficar mais próxima dela. Era muito difícil pra mim, ter que fazer repouso, enquanto minha avó cuidava de nós duas, me sentia uma inútil, e acabava não conseguindo cumprir o repouso como deveria, até que um dia tive um sangramento que me assustou muito, chorei demais, e disse pra minha avó que não poderia mais ficar lá, minha avó não entendeu, disse que eu tinha que ficar com a minha mãe, pois ela ficaria triste, foi uma decisão muito difícil pra mim, eu precisava ficar perto da minha mãe, mas também estava me sentindo perdida sem o Ney, e naquela situação, eu amo minha mãe demais, mas eram meus filhos, com muita dor no coração fui pra casa, mas sempre aparecia por lá. Mas para minha mãe, que não tinha noção de quase nada mais, era como se eu tivesse a abandonado, o que dói demais o meu coração.

Um dia já não aguentando mais essa situação, eu ajoelhei e comecei a orar a Deus, entregando minha mãe a Ele, estava difícil ver o quanto ela sofria de dores na cabeça, já não era ela. Quando levantei do chão, meu irmão Rodrigo me ligou e disse: - Você já está sabendo? A mãe morreu!! Me senti sem chão e não acreditei que tinha pedido pra Deus levá-la. E assim fiquei sem minha fortaleza, minha proteção, minha melhor amiga. Tive que virar adulta.

É impossível resumir, mas estou tentando... Continua...

2 comentários:

  1. é imprecionante! estou emocionada com seu relato amiga, te admir cada dia mais ...

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