sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Minha faculdade de Direito Parte II


Continuando minha faculdade de direito e lembrando algo muito importante, como disse no início, enfiamos a cara nas dívidas e não nos estudos como a maioria costuma a fazer. Modestamente falando, o Ney é o segundo cara mais inteligente que eu conheço pessoalmente, o primeiro é o meu pai, RS... Mas enfim, tivemos de fazer um financiamento na faculdade, pagávamos a metade a vista e a outra metade depois de formado, e assim foi até a metade do 3º ano, e depois ele conseguiu meia bolsa até o final do curso. E além de todas as contas de final de ano e começo de ano que todos conhecem, já chegaram nossos boletinhos com a divida atualizada de todos os meses que devemos, RS...
Minha mãe se foi, e como eu estava naquela euforia da gravidez e ainda de gêmeos, eu não senti tanto, minha ficha demorou muitooo pra cair, no velório eu ria pra todo mundo, falava dos gêmeos, contava o que tinha engordado, os enjoos, parecia que estava meio anestesiada de tudo aquilo. Só quando o caixão fechou é que eu me dei conta de que nunca mais veria a minha mãe. Os dias se passaram e eu continuava bem, preparando o enxoval, pesquisando tudo sobre gêmeos, ansiosa para confirmar se eram 2 meninos mesmo, mas o quarto já estava pintado de azul, pois tinha certeza de que minha mãe estava certa.
Enfim o médico me liberou do repouso, eu nem podia me conter, queria ir no Centro da Cidade, no shopping ver tudo de bebês. Então combinei com uns amigos de irmos ao shopping comer, demos uma voltinha, mas não fiz nada de esforço e nem andei muito. O pessoal assustou de como eu comi naquele dia, mas essa foi a gestação de eu mais sentia fome e engordei muito. Chegamos antes das 22:00 hs em casa e logo fomos deitar, e antes da 00:00hs (já estava dormindo), senti uma água saindo de dentro de mim, que era bem diferente de xixi. Acordei chorando e não conseguia falar o que estava acontecendo, mas logo o Ney percebeu e fomos para a maternidade que pretendia que eles nascessem, chegando lá, a plantonista que me atendeu, me examinou e disse que estava com a bolsa rota, tentou contato com o meu obstetra que parecia pouco se importar, disse que mandaria um médico no lugar dele, que nunca apareceu, mas o hospital não tinha leito disponível, a plantonista ligou para outro hospital explicando a urgência do atendimento, mas chegando lá, fiquei um bom tempo na recepção e depois um tempo ainda maior em uma segunda recepção, para o plantonista me dizer que eu fiz xixi na calça. O médico disse que me internaria pela minha insistência, mas por ele eu iria embora. Fiquei o domingo inteiro tendo contrações, mas todo plantonista que aparecia por lá, não dava a mínima, dizia que eu tinha feito xixi. O último que me examinou, disse que ia me mandar pra casa, pois eles estavam perdendo tempo comigo. Na segunda, eu ia ter alta, cheguei até falar isso para o Ney por telefone, mas der repente apareceu um novo plantonista, que quis saber o que estava acontecendo comigo e ele percebeu que eu estava em trabalho de parto, fez o toque, não me falou nada e até hoje eu não sei se estava toda dilatada ou não. Ele olhou para as enfermeiras e disse: - Vamos correr que eu peguei o pé de um!! Acho que foi um modo de dizer que eu estava toda dilatada, sei lá, não tomei nenhuma anestesia, a única coisa que ele me disse foi: -Aline, vamos ter que fazer o seu parto e seus bebês não irão sobreviver, pois são muito pequenos e será parto normal, para o seu bem, pois assim você poderá engravidar mas rápido. Eu não sabia o que fazer e dizer, apenas consenti com a decisão do médico, rezando para que Deus fizesse um milagre.  Eu estava sozinha e as enfermeiras já foram me transferindo para uma maca, eu peguei meu celular liguei pro Ney e disse que estava indo para a sala de parto.
O Ney chegou logo e conseguiu entrar meio a força para ficar comigo. Nasceu o primeiro e era um menino, o Ney chegou a vê-lo mexer, mas assim como o médico havia dito meu Estevão não sobreviveu. Tive que ficar em outra sala, esperando o Felipe descer, pois ele estava alto. Naquele momento, nem me lembrava do pavor que tinha de parto normal, só esperava de Deus um milagre e sentia meu bebezinho pulando dentro de mim, ficava imaginando o que ele estava sentindo depois de 5 meses juntos, a vida os tinha separado por alguns minutos, mas logo estava na hora dele nascer também e não tinha o que fazer. Ele também nasceu e foi junto com seu irmãzinho inseparável.
Assim que terminou o parto, eu tomei uma raqui, para retirarem a placenta, não entendo o motivo disso, mas assim foi o meu primeiro parto. As enfermeiras começaram a me tirar de lá, e pedi para ver os meus bebês, elas então mostraram os dois para mim, que nem consegui enxergar, e a minha maior dor é não ter a imagem deles na minha mente, não consigo me Lembrar do rostinho dos dois, me lembro apenas, que eles estavam formadinhos e perfeitinhos, minha avó disse para todo mundo que eram a cara da minha mãe, mas a mesma coisa foi com o Miguel e a Sofia. Fiquei uns 30 minutos em frente a uma sala de parto onde estava nascendo uma menininha, me lembro de ouvi-la chorar e de um dos médicos dizer para a mãe que era uma menina. Depois disso me levaram finalmente para o meu quarto, passei por um lugar onde estava lotado de pessoas da minha família, não queria falar com ninguém, e realmente não falei, só queria ficar sozinha.
Como as pessoas hoje em dias são descrentes, na sala onde ganhei os meus bebês não tinha uma incubadora, ninguém acreditava que um milagre poderia acontecer, que os meus filhos poderiam sobreviver, mas creio que essa parte da minha vida era algo que eu precisava passar. O médico me disse com convicção que eles não iriam sobreviver, será que ele nunca ouviu falar de Deus?? Pois no meu coração, eu acreditava que eles iriam sair comigo daquele hospital. Mas Deus sabe todas as coisas e nunca cai uma folha da árvore sem que Deus queira.
Depois do parto uma enfermeira disse ao Ney, que como os bebês tinham menos de 500 gramas, era opcional, poderia deixá-los no hospital, mas também poderia levá-los para que fossem enterrados. Assim começou uma briga do hospital com a minha família, que queria levar os bebês para serem enterrados , mas o médico chefe disse ao Ney que não permitiria que ele levasse, disse: - Deixe aqui, que a gente dá fim neles, (e disse a mesma coisa pra mim) – Pra que gastar dinheiro com isso?? O Ney então disse pra ele: -  Dr. Eu e minha esposa, acreditamos muito em Deus, e não importa se eles tem 200 gr, 300 gr, 500 gr... Eles são parte de nós, foram muito desejados, e eu quero sim enterrá-los. Mas se o Sr. Está dizendo que não vai liberar, tudo bem, mas quero uma declaração a próprio punho, assinada pelo Sr. dizendo que não está liberando, e depois a gente resolve.
Então o médico disse pra ele que não podia liberar, pois não foi ele que fez o parto, (desconversou) que era pra ele voltar mais tarde que o medico que havia feito o parto, iria liberar pra ele.
O Ney chegou mais tarde, o médico já estava lá e liberou os bebês, para serem enterrados, eu não pude estar, pois estava no hospital. Mas minha avó fez um batismo de intenção no cemitério mesmo, foi muito importante pra mim, nem tinha pensado nisso, mas quando fiquei sabendo, fiquei muito feliz.
Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi ir para o quarto deles, mas não tinha mais nada, meus irmãos haviam tirado tudo do quarto, estava vazio, assim como o meu coração naquele momento, tinha apenas uma poltrona, mas em nenhum momento deixei de acreditar que Deus tinha um propósito maior para a minha vida, mas é claro que fiquei sem chão, o Ney ia trabalhar e eu passava o dia inteiro naquele quarto, sentada naquela poltrona. Pode parecer ruim, mas aqueles momentos foram importantes para mim, estava vivendo o meu luto, e me encontrando com Deus. Mas já não podia imaginar a vida sem filhos, por isso pedi muito a Deus que me presenteasse novamente.
Comecei a procurar outros médicos e logo, fui fazer um Ultrasson, o médico que fez o exame, disse que meu útero estava pronto para ter outro bebê, que eu poderia sair dali e engravidar, mas quando fui levar o exame para o médico olhar, ele me disse que meu útero era infantil e seria preciso fazer muitos exames, me mandou voltar no médico que fez o exame, pois naquele exame faltava algo que ele havia pedido. Fiquei arrasada, voltei no médico, que me atendeu prontamente e conversou muito comigo, me mostrou livros, me garantindo que meu útero não era infantil.
O Ney, marcou exames, eu já tinha lido um livro do  Neil Velez, que ganhei de uma amiga querida nos últimos dias de vida da minha mãe, e fiquei sabendo que ele estaria em São José dos Campos, não poderia deixar de ir, eu tinha certeza que Deus iria falar comigo nesse encontro, quando chegou o dia, fui com minha prima Flávia e minha tia Ane. Foi simplesmente maravilhoso, eu nunca senti tão forte a presença de Deus na minha vida, eu senti Deus curar todo o meu ser, o Neil Velez estava bem longe de mim, ele nem sabe que eu estava lá, não encostou a mão em mim, mas naquela noite, Deus me viu e tocou sua mão em mim e eu saí de lá certa disso. Nessa mesma semana, o resultado do exame do Ney saiu e por incrível que possa parecer estava mais do que normal, ele não tinha mais nada. Eu não me lembro ao certo se foi depois disso ou antes disso, mas eu e o Ney, fomos em um grupo de oração que não conhecíamos ninguém, e uma moça orou por mim e disse:
- Você está grávida??
Eu disse: - Não!!
Ela disse então: - Deus me deu uma visão se você segurando um menininho!!
Eu perguntei: - Só um??
Ela disse: - Sim, só um!!
Fiquei com aquilo na minha cabeça, não lembro ao certo a sequencia dos acontecimentos, mas foram todos seguidos, então um dia eu estava certa de que estava no meu dia fértil e tive certeza que havia engravidado naquele dia, naquela noite, eu nem conseguia dormir, pode ter sido psicológico, mas senti como se os meus folículos estivessem explodido. Eu utilizava um método, chamado Temperatura Basal, e com ele é possível saber se a sua menstruação virá através da temperatura do corpo, não sei se vou conseguir explicar, mas temos uma temperatura mais ou menos igual todos os dias assim que acordamos, mas quando ovulamos a temperatura sobe e fica alta até o dia de vir a menstruação, no dia que a temperatura cai a danada vem sem falta.
Depois desse dia, eu sempre fazia uma oração pedindo pra Deus, que se minha temperatura caísse, e depois que media e via que ainda estava alta, eu fazia uma nova oração agradecendo por ainda ter uma esperança.
Um dia antes da minha provável menstruação vir, medi a temperatura pela manhã e quase infartei de felicidade quando vi que a temperatura ainda estava alta, tive certeza naquele dia que estava grávida. Era uma sexta feira, não consegui me controlar e acabei contando para o Ney, e compramos o teste de gravidez. Já era a noite, fiz o teste e apareceu só uma listrinha. Fiquei arrasada, não era possível, eu nunca tive tanta certeza de algo na vida, disse pro Ney que era negativo e fui tomar banho. Quando saí do banho, fui jogar o teste no lixo, e vi mais uma listrinha bem clarinha, mas ela estava lá. Na segunda fiz o Beta no laboratório e estava eu mais uma vez grávida e de apenas 4 semanas. O resto da história vocês já conhecem, esse é o Miguelzinho, meu príncipe lindo, arteiro e inteligente.
Continua...