terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Finalmente o Relato de Parto da Sofia

Foi difícil terminar, pois o tempo é algo que me falta ultimamente... rs



Na minha vida as coisas nunca aconteceram da forma que eu sonhei, sempre tudo foi muito difícil, mas não me sinto triste por isso, pois tenho orgulho de olhar pra trás e ver o quanto amadureci diante de todos os obstáculos que foram colocados no meu caminho.
A Sofia e o Miguel são a maior realização da minha vida, as vezes penso que Deus já me deu tanto com os dois, que eu não mereço mais nada nessa vida. Eu comecei o relato dizendo isso, não por ter engravidado sem planejar, pois quem planeja minha vida é Deus e tudo que ele faz na minha vida eu aceito com muita alegria, ele sempre faz o melhor para os seus filhos, e essa gravidez foi uma benção e tenho certeza que veio na hora certa.  
Sonhei a gestação toda com o momento da minha bolsa estourar, eu ligar pra minha amiga e doula Arlene, imaginava que seria ainda mais rápido do que o do Miguel e que talvez nem desse tempo da Arlene vir em casa, chegar ganhando a Sofia no hospital, comprei até um lindo biquíni pra usar a parte de cima e ficar bem nas fotos, de fazer o meu parto com mais experiência do que o primeiro, me entregar ainda mais a esse momento e depois pegar a minha princesinha no colo ainda com o cordão, toda sujinha e peladinha, dar de mamar ainda no primeiro minuto de vida, o Ney cortaria o cordão umbilical e ficaríamos nos olhando com a felicidade estampada em nossos rostos, imaginava os olhinhos arregalados olhando tudo e pensando, onde estou?? Ela faria os procedimentos médicos, como pesagem etc, sem o colírio, RS... colocaria uma roupinha ali mesmo na minha frente, do Ney e da Arlene, que seguraria a minha mãe o TP todo me encorajando assim como a Flávia fez, eu provavelmente ia ficar atormentando a enfermeira pra tomar banho até conseguir e iríamos pro quarto, onde a minha comadre Fabiana estaria me esperando a madrinha da Sofia, pois já havíamos combinado tudo com ela, o Ney ficaria com o Miguel em casa...
Bom, mas não foi nada disso que aconteceu, mas como aprendi que nessa vida nada acontece por acaso, que nunca cai uma folha de uma árvore sem que Deus queira, passei por cima disso e estou muito feliz com meus bebês, mesmo sem dormir a noite, não existe coisa melhor no mundo do que ser mãe, ser muito importante para alguém, mesmo sabendo que logo a adolescência chega e a gente é trocada por uma loira, linda, simpática de covinhas, ou um moreno, alto de olhos azuis... Pra falar a verdade isso já me assusta um pouco, pois o Miguel não para de falar da Emily, Bia, Duda, (da escolinha) e não pode ver uma menininha que já corre pra abraçar e beijar, mas isso é uma outra história, vamos ao relato...

Como já havia dito fiz todo o pré natal direitinho, tive diabetes gestacional, mas foi toda controlada, uma vez por semana media minha glicemia 5 vezes, e foi tranqüilo até o final, em todos os Ultrassons, a Sofia estava com o cordão enrolado no pescoço, para o médico do US era desesperador, mas pra mim não, continuava com minha opção de parto normal, pois circular no pescoço nunca foi motivo para uma cesárea e o meu GO compartilhava da mesma opinião, cheguei até a chorar algumas vezes no consultório, com medo de ter que fazer uma cesárea, pois tenho horror a cirurgia, e meu GO sempre dizia: - Fique tranqüila, tudo vai dar certo, você vai ter Parto Normal, você tem tudo pra isso.
Chegamos a 36 semanas naquela ansiedade, pois o Miguel nasceu com 37, achava que talvez ela chegasse um pouquinho antes, Chegamos a 37 semanas e já nem dormia a noite com medo da bolsa estourar e molhar minha cama nova, e não dar tempo de lavar os lençóis e tudo mofar, pois os homens nunca lembram desses detalhes, e quando minha bolsa estourou dos gêmeos, mofou tudooo!! E no dia que completamos 38 semanas fomos à consulta, que por coincidência era uma sexta, assim como o dia que o Miguel nasceu, sentia muita contração, mas apenas as de treino (Contrações de Braxton Hicks). Estava me sentindo bem, apenas cansada e com dores nas costas, mas havia engordado 4 Kg em 2 semanas, o que não era bom, e quando o meu Go mediu a minha pressão estava 15X9, e nessa semana tive várias dores fortes de cabeça. Ele me disse pra ficar tranqüila, que tudo daria certo, mas que era pra eu observar a pressão, pois a mínima não poderia chegar a 10, qualquer coisa pra eu ligar na casa ou no celular dele e ficar em repouso, sempre deitada do lado esquerdo. Foi o que eu fiz, fui pra casa do meu pai e fiquei deitada, a consulta foi de manhã, quando foi uma 16:00 hs eu resolvi falar com a vizinha do meu pai que é enfermeira pra medir a minha pressão, mas ela não estava, e o marido dela mesmo mediu estava 16X9, mas não senti muita segurança nele, RS... Lembram do meu irmão Lucas, o padrinho do Miguel que estava comigo no dia que o Miguel nasceu?? Ele estava comigo novamente e apavorado, querendo me levar pro hospital e eu como sempre bem tranqüila, por volta das 18:00 hs o Ney chegou com o Miguel que estava na escolinha e eu estava com dores de cabeça e muito enjoada, fui na vizinha novamente que já havia chegado, ela mediu a minha pressão 3 vezes e olhou pra mim com uma cara de assustada e me perguntou quanto havia dado da última vez... E me disse: - Fique tranqüila, essas coisas acontecem quando a gente está grávida, a sua pressão está 17X10, vou medir no outro braço. E no outro braço já estava 18X10, o Ney ligou pro médico, que nos mandou ir para o hospital, chegando lá havia uma enfermeira me esperando, ele já tinha passado todos os meus dados pra ela, que mediu a minha pressão e continuava 18X10, escutou o coraçãozinho da Sofia que estava tudo bem. Ligou para o meu GO, que mandou me internar e disse que iria para o hospital para ver o que seria feito. Logo ele chegou, o Ney havia saído pra comer alguma coisa, o Miguel havia ficado com o meu pai e o meu irmão Lucas. Então, o médico me disse que a minha pressão estava subindo e estava com eminência de pré-eclampsia, me assustei um pouco, pois venho de uma família de hipertensos, ele fez o toque e estava com 1 cm de dilatação e que provavelmente tudo correria bem para o parto normal, mas com a pressão daquele jeito ele me indicaria uma cesárea, mas também poderia induzir o parto normal, porém, ele achava que não valeria a pena correr o risco e depois se lamentar por algo que pudesse vir a acontecer. Estava sozinha, nem sabia o que dizer, mas diante do meu nervosismo e do medo da minha pressão subir ainda mais, eu resolvi fazer a cesárea, com muita dor no coração e mesmo sabendo que ele poderia me medicar para a pressão baixar, tive muito medo de que acontecesse algo com a minha filha, nem pensei em mim, pensei somente nela. O médico pediu pra chamar o meu marido, pois seria naquele momento, foi tudo tão rápido, não pude nem pensar direito, quando o Ney voltou, (ele nem demorou) eu já estava com a roupa do hospital, pronta para a cirurgia, conversamos bem rápido e ele concordou, logo já chegou duas enfermeiras com uma maca, e lá estava eu deitada indo pra cirurgia, passava um filme na minha cabeça, estava muito assustada, em nenhum minuto eu havia imaginado que passaria por isso.
Cheguei naquela sala de cirurgia, ai que lugar frio, tão diferente da sala de parto que ganhei o Miguel, lá era tão aconchegante... O Dr. Percebeu que eu não estava bem com aquela situação e conversou bastante comigo, mas mesmo assim, me senti um pedaço de carne, ninguém me perguntou nada, se eu estava bem, se poderiam fazer isso ou aquilo, simplesmente duas enfermeiras me colocaram em uma maca que parecia que eu iria cair a qualquer momento de tão estreita que ela era, começaram a colocar várias coisas em mim, tiraram a parte de cima da roupa, o Anestesista chegou, foi a única pessoa que pareceu se importar, me tratou com muito carinho, mas que horrível a anestesia, logo eu já estava com uma tremedeira, aliás, eu já estava antes, pois quando fico muito nervosa tenho tremedeira, e pra completar as enfermeiras amarraram os meus braços, e colocaram vários panos em volta de mim e um na minha cabeça, fiquei horrorizada com aquilo. O meu médico perguntou do Ney, e foi atrás dele, depois o Ney me disse que as enfermeiras haviam mandado ele se trocar, mas ele nem sabia o que deveria usar, mas o Dr. o ajudou e ele apareceu e ficou do meu lado, quando chegou, eu já comecei a chorar, não acreditava que aquilo estava acontecendo, só pensava no Miguel, em como eu cuidaria dele naquela situação, e porque a Sofia não iria chegar na hora certa. Sentia os médicos passando algo nas minhas pernas, e me assustei ainda mais, disse pro Dr. que estava sentindo, e ele me disse para tentar levantar a perna, e não consegui, então ele disse que estava tudo bem...
Eles ficaram conversando e rindo, enquanto eu estava apavorada, com medo de morrer ou de aconteceu algo com a Sofia, e chorava sem parar. Senti uma pressão muito forte, o Ney até se assustou, e eu nem consegui explicar pra ele que era normal na cesárea, pois não conseguia falar, derrepente a Sofia nasceu, escutei o choro, disse pro Ney ir tirar foto, mas eu mesmo nem pude vê-la, a levaram pra fazer os exames, ficava escutando ela chorar e eu chorava junto, sendo costurada, depois de um tempo, o pediatra a trouxe para perto de mim, mas foi tudo tão rápido que nem consegui olhar pra ele direito, o Ney sorriu pra mim, e eu disse: - Nossa, parece com o Miguel, ela é linda!! E foi a última vez que eu vi o meu marido naquele dia. 


Quando pensei que tudo havia acabado e que iria para o quarto ficar com a minha filha, me levaram para um quarto e fiquei lá mais de uma hora, ninguém me explicou nada, fiquei apavorada, pensando se tinha acontecido alguma coisa, não sabia onde o Ney estava, nem como o Miguel estava. Consegui falar com uma enfermeira que disse que eu teria que ficar ali até poder mexer as pernas, e me disse pra dormir um pouco, mas fiquei o tempo todo tentando levantar a perna. A Sofia nasceu 21:37 e já era quase 00:00, então uma enfermeira disse que a bebê precisava mamar, e colocaram ela finalmente no meu peito, que mamou pra valer, saímos daquele lugar e fomos para o quarto, já era mais de 00:00, a Fabiana estava nos esperando e só então consegui ver como a minha filha era linda, mas estava me sentindo desamparada naquele momento, fora os efeitos da anestesia, senti tanta coceira no rosto que chegou a queimar, hoje depois de quase um mês meu rosto ainda tem uma mancha de queimado, devido a reação.



Senti tanta falta do Ney, do Miguel... Nem eu, nem a Fá e nem a Sofia dormimos, estava desesperada pra tomar banho, e fiquei falando na cabeça da Fabiana, quando foi por volta das 04:00 hs, a enfermeira veio para me ajudar a tomar banho, foi tudo muito difícil, só depois disso dormimos um pouco, mas logo estávamos acordadas, estava muito ansiosa pela chegada do Miguel, que para mim demorou uma eternidade.
Mas quando ele chegou, foi amor a primeira vista, dava pra ver nos olhinhos dele a felicidade de ver a irmãzinha, o que me surpreendeu muito, não esperava por isso, e logo ele quis pegá-la, beijá-la e tem sido assim todos os dias. Meus filhos são uma benção de Deus, e mesmo que não tenha sido a experiência que eu sonhei, eu faria tudo denovo para ter minha filha comigo.


Fiquei no hospital até domingo, a minha querida prima Natália ficou comigo e se não fosse ela, não sei o que seria de mim, ela cuidou com tanto carinho da Sofia que até consegui dormir um pouco, posso dizer que sou uma leoa com os meus filhos, mas confio d+ na Nat, mesmo sendo tão novinha, com certeza é uma pessoa de ouro e muito responsável, que sempre posso contar, amo você minha linda.


Esse é o meu relato, apesar dos obstáculos, posso dizer: – E fomos felizes para sempre!!! Pois Deus sempre opera na minha vida de um jeito ou de outro.  Sou uma mulher realizada com a minha família, Obrigada Deus por me proporcionar isso...
Hoje depois de 1 mês de tudo isso, me sinto ótima, cansada, RS... Pois a vida com dois bebês não é fácil, mas é maravilhoso, e posso dizer que não sou menos ou mais mãe por ter optado pela cesárea e também não quero mais me sentir mal por ter opinado por ela, mas continuo completamente a favor do Parto normal, não sei se minha cesárea foi desnecessária, mas não faço questão de saber, só quero daqui pra frente curtir minha felicidade e poder ajudar as pessoas com as minhas experiências.



Ney, Miguel e Sofia, Obrigada por existirem , vocês são tudo na minha vida, amo demais vocês, com certeza eu daria a minha vida por cada um de vocês, meus bens mais preciosos.